No ano que vem, segundo a Associação das Empresas de Tecnologia de Informação, Softwares e Internet (Assespro), vão faltar 110 mil funcionários para trabalhar na área de computação. A escassez de mão de obra é uma das características deste setor que ainda não foi regulamentado e está em constante transformação. Atualmente, existem pelo menos três cursos superiores para formar bacharéis na área: Ciência da Computação; Sistemas de Informação e Engenharia de Computação. Também há as licenciaturas em informática.
Existem ainda os cursos sequenciais (mais curtos), que formam tecnólogos para trabalhar, por exemplo com internet ou jogos de computador. “Nossa profissão ainda está sendo regulamentada pelo Congresso Nacional”, afirma o coordenador dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação da UniFil, Sérgio Tanaka.
Os papéis que o profissional de computação pode exercer são ainda mais variados. Programador analistas de sistema, analista de rede, engenheiro de software, gerente de projetos, engenheiro de software, arquiteto de software e gestor de Tecnologia e Informação (TI) são alguns deles. Para Tanaka, é possível fazer uma comparação com a medicina. “No começo, o profissional é como um clínico geral. Depois vai se especializando em banco de dados, internet, segurança de rede e assim por diante.”
O coordenador do curso de Ciência da Computação da UEL, Elieser Botelho Manhas Júnior, explica que o Ministério da Educação (MEC) separa os cursos em dois grupos. “Um grupo, formado por Ciência da Computação e Engenharia da Computação, tem a computação como atividade-fim”, explica. Segundo ele, “conceitualmente” esses cursos devem preparar “profissionais capacitados a contribuir para a evolução do conhecimento do ponto de vista científico e tecnológico”.
Já os cursos de Sistemas de Informação e Licenciatura em Informática, segundo Manhas Júnior, têm a computação como atividade-meio. O primeiro é mais voltado às grandes organizações. “Por isso, o curso trata com maior enfoque os conhecimentos de administração, economia, mercado, ciências sociais e humanas e com menos ênfase às questões técnicas do desenvolvimento de software e hardware.”
Questionando sobre a remuneração do profissional da área, o professor diz que é “muito variável”, dependendo da função que exerce e o porte da empresa. “Nos centros maiores, normalmente, a remuneração é melhor”, diz Manhas Júnior. O coordenador dos cursos da UniFil garante que não há desemprego para quem se interessa pela área. “Os nossos alunos estão todos empregados. Todo dia recebemos empresários pedindo indicações”, conta Sérgio Tanaka.
Em Londrina, salários são considerados baixos
O gaúcho Filipe Montanari Soccol tem 22 anos e mudou-se para Londrina há dois meses. Ele é o mais recente contratado da Oniria, empresa londrinense que produz games. Estudante de Sistemas de Informação, ele ainda está procurando uma instituição de ensino superior para transferir sua matrícula. Em sua cidade, Serafina Corrêa, ele era free lancer. Produzia games que vendia para grandes corporações no exterior. “Existem poucos profissionais nesta área. Ela é muito promissora”, revela. O jovem se considera um autodidata, mas conta que o curso superior é importante para aprofundar o conhecimento na área de programação, que considera “bem complexa”.
Já Jéssica Perez tem 26 anos e se formou em 2002, quando o curso ainda se chamava Processamento de Dados. “Hoje atuo como programadora na Lida de Campo”, afirma, se referindo à empresa agropecuária, onde atualmente realiza uma alteração no banco de dados. Para ela, que é pós-graduada em engenharia de software, é preciso estar sempre em constante formação. “Vou começar agora um MBA em gerenciamento de projetos pela FGV. Preciso abrir mais meu campo de atuação”, conta. Jéssica também afirma que a profissão é muito promissora. Mas, para quem almeja os salários mais altos, é melhor mudar de cidade. “Aqui, os salários param num determinado patamar”, diz.
Formado em Ciência da Computação em 1995, Ruy Nishimura, 36 anos, hoje é sócio da empresa Aldari, representante da IBM para venda de softwares. Ele confirma que há falta de profissionais no mercado, mas garante que, mesmo assim, é preciso estudar muito para se dar bem na área. Nishimura também concorda que a remuneração em Londrina não é das melhores. “Nas capitais e grandes cidades, é bem melhor.”
Engenharia da computação
Trata do desenvolvimento de sistemas de software e hardware, porém tem uma ênfase maior no hardware, dada à sua origem (Ciência da Computação + Engenharia Eletrônica). O desenvolvimento de sistemas embarcados é um exemplo de atividade especificado engenheiro da computação. O curso normalmente tem carga horária maior. A mínima é de 3.600 horas, como em todas as engenharias.
Ciência da Computação
Criar programas de informática é a principal atribuição do profissional formado neste curso. Para isso, ele analisa as necessidades dos usuários, gerencia equipes de criação e instala sistemas de computação. É esse cientista quem elabora softwares, desde programas básicos de controle de estoque até os mais complexos sistemas de processamento de informações. A carga horária é menor, cerca de 3.000 horas.
Sistemas de Informação
O curso de Sistemas de Informação é voltado à aplicação da informática nas organizações e trata com maior enfoque os conhecimentos de administração, economia, mercado, ciências sociais e humanas e menor ênfase às questões técnicas do desenvolvimento de software e hardware.
Licenciatura em Informática
Para quem deseja dar aulas.
Veículo: Folha de Londrina